16 de outubro de 2017

Desabafo de dias cinznetos

Em 24 anos vi um fogo perto de casa. Há muitos anos. Não tenho memória de como foi em termos de dimensões. Não é normal existir fogos na minha zona. É uma espécie de paraíso, pensava eu. Pensavam, talvez, mais. Este verão - trágico e triste -  houve alguns na zona, não muito grandes, principalmente se compararmos com tantos outros que ocorreram pelo país. 

Acabou setembro e outubro já vai a meio, é Outono. Devia estar a chover, e já naquela fase em que me começava a queixar que estava frio e farta da chuva. Como é que me fui queixar de coisas tão importantes?! Nunca desejei tanto a chuva como ontem e hoje.

A minha aldeia, ontem, estava sob uma nuvem de fumo vinda de várias direções. Nunca esperei que tal fosse acontecer. Conseguia ver chamas do meu quarto. Não estavam perto, felizmente. Mas, um dos fogos, não esteve muito longe. A casa estava demasiado quente e cheirava a fumo. E o fogo era a uns quilómetros dali, não estávamos sequer em perigo. Não consigo imaginar todos aqueles que tiveram e têm as chamas à porta. Não consigo por-me no lugar dos meus colegas que estiveram nessa situação, nos que andaram na estrada com o fogo a ameaçá-los.

11 de outubro de 2017

Conta-te Poesia

Búzio, que vens do mar,
Sussurra-me ao ouvido,
Deixa-me ouvi-lo cantar

Foste encontrado na areia,
Só, distante do teu lar
Quis o destino que te encontrrase
Para de casa me recordar